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FESTIVAL CONTEMPORÂNEO DE SÃO PAULO

A 12ª edição do FCD apresenta uma programação compacta e intensa formada por obras coreográficas, pitch sessions, conversas e encontros com programadores internacionais entre 5 e 10 de novembro.

Em tempos cada vez mais adversos para a arte e para toda a diversidade da vida, o festival traz à cidade de São Paulo trabalhos que apresentam práticas urgentes de resistência e reinvenção. O FCD sempre entendeu dança como arte que inventa mundos, modulando a cada gesto, a cada fala, corpos ampliados de possibilidades perceptivas.

A 12ª edição do FCD propõe obras coreográficas que partilham experiências plenas de vitalidade questionadora, ampliando parâmetros para as artes performativas contemporâneas. São trabalhos criados por coreógrafos de países e contextos diversos que investigam em seus corpos práticas sensíveis de partilha e multiplicidades poéticas que oferecem potentes formas de re-existência.

Ligia Lewis e Panaibra Gabriel Canda realizam obras que ativam os afetos, provocam encontros que possibilitam deslocamentos, transformações, desestabilizando os lugares fixos. Como pode a dança contribuir para o enfrentamento deste grave momento de fragmentação, achatamento, individualismo, divisão e destruição de toda complexidade e diversidade da vida?

Ligia Lewis, coreógrafa nascida na República Dominicana e radicada em Berlim, pergunta: “Podemos instituir uma prática de convivência a partir do menor? Pode a caixa preta acolher uma experiência negra que vá além de políticas identitárias?” Lewis coloca em jogo em “minor matter” dois dispositivos discursivos: blackness e a caixa preta. Criando uma lógica de interdependência entre as partes do teatro - som, luz, imagem e arquitetura – e os corpos dos performers, o trabalho faz emergir múltiplos sentidos, onde cada “matéria menor” importa e dá vida a uma materialidade poética e social vibrante. Uma poética da dissonância, a partir da qual surgem questões de representação, apresentação, abstração e limites de significação.

Panaibra Gabriel Canda, um dos precursores da dança contemporânea em Moçambique, questiona o conceito de identidade como algo fixo e estável, desconstruindo em “Tempo e Espaço: Os Solos da Marrabenta” representações de um corpo “puro” africano, em particular o corpo moçambicano. O coreógrafo explora um corpo plural, pós-colonial, contemporâneo que se relacionou com ideais de nacionalismo, modernidade, socialismo e liberdade de expressão, seu próprio corpo.

Após a apresentação de Canda, o Coletivo ERER+ realizará uma conversa com o coreógrafo aberta ao público. O coletivo é formado por estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio (localizada em Osasco) e orientado por T. Angel, especialista em modificação corporal, performer e profissional da educação. O trabalho do Coletivo ERER+ tem como foco a educação para as relações étnico-raciais e outros marcadores das diferenças sociais.

Além das apresentações e entrevistas, o FCD organizou um encontro público sobre os programas realizados por cinco Casas de Dança participantes da EDN (European Dancehouse Network), sediadas na Irlanda, Portugal, França, Finlândia e República Tcheca. A EDN é a rede de trabalho das Casas de Dança da Europa, teatros que apresentam, promovem e coproduzem dança contemporânea. O FCD promoverá também pitch sessions e encontros entre os artistas Cristian Duarte, Eduardo Fukushima, Clarissa Sacchelli, Elisa Ohtake, Leandro de Souza, Beatriz Sano, Elisabete Finger, Marta Soares, Eliana de Santana, Daniel Kairoz, Pedro Galiza e os programadores da EDN.

A 12ª edição do FCD só foi possível por contar com o apoio de instituições fundamentais para a arte e para a cultura no Brasil: SESC e Itaú Cultural. Agradecemos também o acolhimento do Centro Cultural São Paulo, atualmente o único teatro público da cidade que oferece programação constante de dança.

Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro

 

EQUIPE

Direção Artística: Adriana Grechi

Direção Geral: Amaury Cacciacarro

Colaboração Internacional: Rui Silveira

Direção de Produção: Gabi Gonçalves

Direção Administrativa: Alba Roque

Produção Executiva: Rodrigo Fidélis

Coordenação Técnica: Luana Gouveia

Assistência Técnica: Cauê Gouveia

Web Designer: Pedro Ivo Carvalho

Desenho Gráfico: Danusa Carvalho

Imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques

Revisão de Textos e Tradução Encontros: Renata Aspesi

Fotografia: Jônia Guimarães

Produção: Corpo Rastreado

 

Realização: SESC e Itaú Cultural

Apoio: Centro Cultural São Paulo

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FESTIVAL CONTEMPORÂNEO DE SÃO PAULO

The 12th edition of the FCD presents a compact and intense program consisting of choreographic works, pitch sessions, conversations and meetings between November 5th and 10th.

In increasingly adverse times for art and for all diversity of life, the festival brings to the city of São Paulo works that present urgent practices of resistance and reinvention. FCD has always understood dance as an art that invents worlds, modulating with each gesture, each speech, bodies expanded in their perceptual possibilities.

The 12th edition of FCD proposes performances that share experiences full of questioning vitality, broadening parameters for contemporary performative arts. These are works created by choreographers from different countries and contexts who investigate in their bodies sensitive practices of sharing and poetic multiplicities that offer potent forms of re-existence.

Ligia Lewis and Panaibra Gabriel Canda feature works that activate affections, provoke encounters that enable displacements, transformations, destabilizing fixed places. How can dance contribute to facing this grave moment of flattening, fragmentation, individualism, division and destruction of all the complexity and diversity of life?

Ligia Lewis, a Berlin-based choreographer and Dominican-born, asks: “Can we institute a practice of togetherness in the minor? Can the black box be host to a black experience that goes beyond identity politics?” In “minor matter”, Lewis puts into play two discursive devices: blackness and the black box. Creating a logic of interdependence between the theater´s parts - sound, light, image and architecture - and the bodies of the performers, the choreography gives rise to multiple meanings, where each “minor matter” matters giving life to a vibrant poetic and social materiality. A poetics of dissonance, from which questions of re-presentation, presentation, abstraction and the limits of signification emerge.

Panaibra Gabriel Canda, one of the precursors of the contemporary dance in Mozambique, questions the concept of identity as something fixed and stable. He deconstructs cultural representations of a “pure” African body, particularly the Mozambican body. “Time and Spaces: The Marrabenta Solos” explores a contemporary, postcolonial, plural body that relates to ideals of nationalism, modernity, socialism and freedom of expression, his own body.

After the presentations, the ERER+ Collective will conduct interviews with the invited choreographers. ERER+ is a collective formed by students from the Dr. Américo Marco Antônio State School (located in Osasco) and guided by T. Angel, specialist in body modification, performer and educator. The work of the ERER+ Collective focuses on education for ethnic-racial relations and other markers of social differences.

In addition to the presentations and interviews, FCD organized a public meeting to present the programs of five European Dancehouses members of the EDN (European Dancehouse Network), based in Ireland, Portugal, France, Finland and the Czech Republic. EDN is a network for Dancehouses that presents, promotes and supports international contemporary dance. FCD will also promote a series of meetings and pitch sessions between the artists based in São Paulo, Cristian Duarte, Eduardo Fukushima, Clarissa Sacchelli, Elisa Ohtake, Leandro de Souza, Beatriz Sano, Elisabete Finger, Marta Soares, Eliana de Santana, Daniel Kairoz, Pedro Galiza, and EDN programmers.

The 12th edition of the FCD was only possible due to the support of key institutions for art and culture in Brazil: SESC and Itaú Cultural. We thank also CCSP (São Paulo Cultural Center) for hosting the meetings, currently the only public cultural center in the city that continuously presents dance.

Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro

 

 

TEAM
Artistic Direction: Adriana Grechi
General Direction: Amaury Cacciacarro
International Collaboration: Rui Silveira
Production Direction: Gabi Gonçalves
Administrative Direction: Alba Roque
Executive Production: Rodrigo Fidélis
Technical Direction: Luana Gouveia

Technical Assistance: Cauê Gouveia
Web Design: Pedro Ivo Carvalho

Graphic Design: Danusa Carvalho
Press: Canal Aberto - Marcia Marques
Translation: Renata Aspesi
Photography: Jônia Guimarães
Production: Corpo Rastreado

 

Cultural Partners & Sponsors:

SESC, Itaú Cultural e Centro Cultural São Paulo